O alerta sobre o arroz que poucos querem ouvir
O movimento observado em outros setores reforça esse cenário
O movimento observado em outros setores reforça esse cenário - Foto: Pixabay
O arroz atravessou décadas como um produto essencial e praticamente imutável na rotina de consumo. Ao longo do tempo, mudanças econômicas e de comportamento não foram suficientes para alterar de forma significativa a maneira como o setor trabalha, mantendo processos focados em descascar, empacotar e vender. A avaliação é de Sergio Cardoso, diretor de operações da Itaobi Representações.
Segundo ele, enquanto o produto permaneceu estático, o ambiente ao redor evoluiu e passou a exigir novas formas de entrega de valor. O arroz não perdeu relevância, mas deixou de acompanhar transformações importantes no perfil do consumidor. Esse descompasso, ao longo dos anos, contribuiu para a redução de margens e para a crescente percepção do produto como uma commodity.
O movimento observado em outros setores reforça esse cenário. Cardoso cita o caso de uma grande empresa global de bebidas, que manteve seu produto principal por décadas, mas decidiu reposicionar parte do portfólio diante das mudanças de consumo. A criação de versões com apelo diferenciado não apenas atendeu a novas demandas, como também reposicionou a marca, mesmo com o risco de afetar seu produto tradicional.
No mercado de arroz, a discussão ainda se concentra em preço, logística e volume, fatores considerados importantes, mas insuficientes para sustentar crescimento de valor. O modelo baseado em embalagens tradicionais segue predominante, apesar das transformações no comportamento do consumidor.
Hoje, a demanda inclui atributos como conveniência, saudabilidade, experiência e identificação com marcas. Esses fatores, segundo o diretor, são determinantes para agregar valor e ampliar margens em um cenário cada vez mais competitivo.
A permanência em um modelo que não acompanha essas mudanças pode intensificar a perda de protagonismo do produto. No mercado, a tendência é clara: quem não evolui acaba inserido em um ambiente de baixa diferenciação, onde preço é o principal fator e a margem se torna limitada.